A ausência faz-se palavra
estranhamente, ou não,
porque recordo os pássaros
que vieram beber na tua mão,
os caminhos de pedras,
então tornados rios,
em sílabas das cores
do arco-íris.
E, nesse instante, contemplo.
terça-feira, 26 de março de 2019
segunda-feira, 11 de março de 2019
Ave
É um sorriso
de oceanos,
de montanhas,
de céu com sol abrasador.
Ao florescer,
tudo em redor fica um jardim.
É, no momento,
um voo de pássaro,
ou à vela;
o próprio planador,
ou qualquer máquina voadora,
e, ao mesmo tempo,
aeroporto ou heliporto;
o poiso.
Uma manhã,
uma janela aberta sobre um prado.
É Homem- Menino
sempre a renascer:
estrela-do-mar.
E, então,
querem ser
a sua ave.
de oceanos,
de montanhas,
de céu com sol abrasador.
Ao florescer,
tudo em redor fica um jardim.
É, no momento,
um voo de pássaro,
ou à vela;
o próprio planador,
ou qualquer máquina voadora,
e, ao mesmo tempo,
aeroporto ou heliporto;
o poiso.
Uma manhã,
uma janela aberta sobre um prado.
É Homem- Menino
sempre a renascer:
estrela-do-mar.
E, então,
querem ser
a sua ave.
sexta-feira, 1 de março de 2019
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019
Fim de inspiração
Bem cedo,
ficou esquecido o poema,
quando o poeta descobriu
a farsa do Pai Natal.
E, agora,
jazem na fossa
ambos, poeta e poema.
ficou esquecido o poema,
quando o poeta descobriu
a farsa do Pai Natal.
E, agora,
jazem na fossa
ambos, poeta e poema.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019
Receita ignóbil, feitiço ou
como fazer das desgraças prendas, ou modelos?
Tem-se lixo biodegradável. Junta-se-lhe uns pozinhos de perlimpimpim. Da frente para trás e de trás para a frente, de cima para baixo e de baixo para cima. Do avesso para o direito e do direito para o avesso. Deitar sal e lágrimas, lágrimas e sal. Mexer. Temperar bem. Mexer. Verter tudo numa caçarola. Deitar para o chão e com um pano absorver. Tornar a pôr na caçarola e, depois, deitar tudo no balde. Perfumar. Deitar na terra. Compostar. Ter muitas, muitas doses de paciência. Deixar transformar em húmus. Plantar e/ou semear. Juntar mais outras doses de paciência e ver crescer as flores ou hortaliças. Colher.
Não esquecer de desinfetar a caçarola ou deitar fora.
Hoje deu-me para isto. Que tal?
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019
Mar grávido
Navego no céu,
de dia e de noite,
até desaparecer o gosto dos rumos.
Então, componho
contigo
uma sonata liquefeita
no mar grávido.
Quantos peixes se
encontrarão nestas
notas
e se associarão
aos melhores corais
das sonoridades?
de dia e de noite,
até desaparecer o gosto dos rumos.
Então, componho
contigo
uma sonata liquefeita
no mar grávido.
Quantos peixes se
encontrarão nestas
notas
e se associarão
aos melhores corais
das sonoridades?
sexta-feira, 25 de janeiro de 2019
Sabores da poesia e a poesia dos dias.
Os que se alimentam de poesia gostam de chuchar cada verso até ao tutano. O travo que fica no final é o de variados sabores, consoante o tempero aplicado. Por vezes, pode saber a ilusão doce ou salgada, a uma casa inteira... - "Isto sabe a janela" , alguém disse algures, pela mão de Gabriel Garcia Márquez, mas não a propósito de poesia... -; tenho por mim que saber a uma casa inteira alargará os sentidos.
Banqueteemo-nos de poesia. Para estarmos mais armados, até aos dentes, de sentidos. A poesia existe, mesmo quando não se escreve. É quando, às vezes, tem mais valor: a poesia dos dias. Pode saber mal, essa poesia, mas é, por vezes, aquela que podemos apreciar e que nos cabe transformar.
sexta-feira, 18 de janeiro de 2019
Chuva torrencial
Entre as peles,
branda doçura:
piar de pássaros
ao amanhecer,
mel inconstante,
que ora
escorre,
sem ter nascente.
Melodias etéreas.
Jogos de sons.
Mais um pouco os
frutos, neste semear.
E, do alto do dia,
brindas-me
com chuva torrencial.
branda doçura:
piar de pássaros
ao amanhecer,
mel inconstante,
que ora
escorre,
sem ter nascente.
Melodias etéreas.
Jogos de sons.
Mais um pouco os
frutos, neste semear.
E, do alto do dia,
brindas-me
com chuva torrencial.
sexta-feira, 11 de janeiro de 2019
Paul
As palavras sangram,
mas também têm espinhos.
Algumas batem-me à porta.
Ignoro-as
e ei-las
que me fuzilam.
Aaaaaaaaaaaaaaaaaah!
São caminhos de lama
algumas palavras.
E nelas fico atolada.
mas também têm espinhos.
Algumas batem-me à porta.
Ignoro-as
e ei-las
que me fuzilam.
Aaaaaaaaaaaaaaaaaah!
São caminhos de lama
algumas palavras.
E nelas fico atolada.
sexta-feira, 4 de janeiro de 2019
Plantação
Plantei a poesia
em vasos.
Dei de caras, estes dias,
com frutos letras,
eu que esperava sorrisos
e sol.
Não que as letras sejam más,
mas queria mais.
Talvez tenha de plantar
em terra de quintal
e não num vaso...
Ou talvez
não fosse poesia...
em vasos.
Dei de caras, estes dias,
com frutos letras,
eu que esperava sorrisos
e sol.
Não que as letras sejam más,
mas queria mais.
Talvez tenha de plantar
em terra de quintal
e não num vaso...
Ou talvez
não fosse poesia...
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