quarta-feira, 8 de maio de 2019

Namoro

É doce
e quente
essa vereda, no final.
Entretanto, é
um caminho difícil;
uma luta
que se trava entre
a noite e o dia,
o sol e a lua,
a terra e o mar.
Parece inglória.
Mas esclarece,
no fundo.
É intergaláctica.
É doce
e quente, no final.
Mas, antes de ser fruto,
é fogo a consumir;
forno de pão a funcionar.
Amor,
onde moras?

sábado, 27 de abril de 2019

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Metas

A caminho das planícies,
navego por declives.
Entretanto, em ti,
toda a hora se faz presença,
como para admirar
os sonhos rosa que espreitam
à esquina do teu dormir sossegado.
E tudo ressurge
renascido,
mesmo que eu
ainda não tenha chegado,
porque o rio
é já ali.

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Departamento

Fecha-se a
noite em redor
da canção em que
assobiava e já não é.
Ficam os arames
farpados do nada,
que magoa mais
que o tudo...
durante horas.
Rejuvenesce
a cor, quando os raios
penetram pelos
buracos dos
caixotes.
Mas, cá dentro,
ainda é escuro.

terça-feira, 26 de março de 2019

Saudade - In memoriam

A ausência faz-se palavra
estranhamente, ou não,
porque recordo os pássaros
que vieram beber na tua mão,
os caminhos de pedras,
então tornados rios,
em sílabas das cores
do arco-íris.
E, nesse instante, contemplo.

segunda-feira, 11 de março de 2019

Ave

É um sorriso
de oceanos,
de montanhas,
de céu com sol abrasador.
Ao florescer,
tudo em redor fica um jardim.
É, no momento,
um voo de pássaro,
ou à vela;
o próprio planador,
ou qualquer máquina voadora,
e, ao mesmo tempo,
aeroporto ou heliporto;
o poiso.
Uma manhã,
uma janela aberta sobre um prado.
É Homem- Menino
sempre a renascer:
estrela-do-mar.
E, então,
querem ser
a sua ave.

sexta-feira, 1 de março de 2019

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Fim de inspiração

Bem cedo,
ficou esquecido o poema,
quando o poeta descobriu
a farsa do Pai Natal.
E, agora,
jazem na fossa
ambos, poeta e poema.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Receita ignóbil, feitiço ou

como fazer das desgraças prendas, ou modelos?

Tem-se lixo biodegradável. Junta-se-lhe uns pozinhos de perlimpimpim. Da frente para trás e de trás para a frente, de cima para baixo e de baixo para cima. Do avesso para o direito e do direito para o avesso. Deitar sal e lágrimas, lágrimas e sal. Mexer. Temperar bem. Mexer. Verter tudo numa caçarola. Deitar para o chão e com um pano absorver. Tornar a pôr na caçarola e, depois, deitar tudo no balde. Perfumar. Deitar na terra. Compostar. Ter muitas, muitas doses de paciência. Deixar transformar em húmus. Plantar e/ou semear. Juntar mais outras doses de paciência e ver crescer as flores ou hortaliças. Colher.

Não esquecer de desinfetar a caçarola ou deitar fora.

Hoje deu-me para isto. Que tal?

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Mar grávido

Navego no céu,
de dia e de noite,
até desaparecer o gosto dos rumos.
Então, componho
contigo
uma sonata liquefeita
no mar grávido.
Quantos peixes se
encontrarão nestas
notas
e se associarão
aos melhores corais
das sonoridades?